•13:16

Quem é você?
De onde veio?
Para onde vai?
Que me diz
do tic-tac do relógio?
E da nave que nao cospe fumaça?
E do trem espacial que não voltou?

Que me diz
do bebê de proveta,
da maconha sem cigarro
e da heroína sem heroi?

Que me diz
da mulher que nao quis ser mãe
e da mãe faminta
que fez pregão dos filhos
na bolsa de valores?

Que me diz
da agua poluida
e da exposição
do vidro com petroleo?

Que me diz do
espermatozoide
que nao fecundou o ovulo?

Que me diz
do feto assassinado
e que nao foi notícia nos jornais?

E você, quem é?
Que faz aqui?
De onde veio?
Para onde vai?

Ouço o choro
de uma criança...
Ouço o baque de um corpo
sobre a terra ferida...

O pano desce
e ninguém aparece
para anunciar
que a cena terminou.

Nem para dizer
que vai recomeçar.
Estendo minha mão
para colher uma flor
que nasceu do lodo.

Branca: é um lírio.
E eu vejo, na flor,
o futuro da humanidade.

Futuro sem dor,
sem lágrimas,
sem paranóia.

O futuro
que pertence ao homem!

Agora, posso ouvir
o tic-tac do relogio.
Posso ver a criança que sorri.

O trem partiu
e voltou sem resfolegar.
Há flores pelos caminhos.



(Dica: Pare o som do blog para ouvir o som da poesia em vídeo)
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