•14:30
"Voce terá de ter, principalmente,
no coração um grande amor pelo menino
do berço pequenino," Rev. Nelson de Godoy Costa


Era véspera de Natal.
Joãozinho,
O menino ninguém,
escreveu alguma coisa
num pedaço de papel.

Joãozinho
pela primeira vez
Pensou em Papai do Céu.

Pensou
e fez um pedido.

Que teria pedido
o menino ninguém?

Teria pedido
quem sabe,
uma bola...

Um pião...
Ou uma pasta pequena
para guardar os livros da escola...

Não!...
Joãozinho pediu,
simplesmente,
que Papai do Céu curasse
seu pai que estava doente.

Doente? Sim!...
E de uma doença terrível!!
- A bebedeira,
que debilita o corpo,
entorpece a alma,
e mata aos poucos.

O pai de Joãozinho
não saía da taverna;
bebia o dia todo,
não queria trabalhar.

Joãozinho passava fome!...
Estava muito magrinho!...
Sua pobre mãe, coitada!
lavava roupa pra fora
e ainda tinha que aturar
o marido que chegava
sempre embriagado.

Nessa noite,
- véspera de Natal -
bastante embriagado,
o pai de Joãozinho procurou a casa mais cedo.
Jogou-se no chão,
no chão de barro batido,
umedecido,
insensível ao pranto da esposa
e às lágrimas do filho
que suplicava,
insistente:

- Pai, levanta!
- Paizinho, levanta!...

Afinal,
Jesus também foi pobre;
nasceu
numa humilde estrebaria.
José - seu pai -,
era um pobre carpinteiro
e pobre, também,
era a mãe de Jesus,
a virgem Maria.

Joãozinho pensava:
- Será que ele vem?
Baixinho pedia:
- Papai do Céu,
- velhinho bondoso,
- de barbas branquinhas,
- não te esqueças de mim...

E terminava assim
a sua oração:

- Atende o pedido
- de Joãozinho ninguém.

Altas horas da noite,
o pai de Joãozinho
sentado no chão,
à luz quase mortiça
de um velho lampião,
procurava soletrar
aquela carta de amor
que seu filhinho escrevera.

Em torno,
silêncio. .
Silêncio pesado,
silêncio de chumbo...

"Papai do Céu,
você que gosta tanto dos meninos,
você que é bom,
você vai me atender neste Natal. . .
Você sabe o que eu mais desejo?
Se não sabe, vou dizer:
Eu quero que papai
deixe de beber,
que seja bom pra minha mãe..."

O velho pai não pôde prosseguir.
Soluçando,
beijou a fronte do filho.

Joãozinho despertou;
parecia atordoado!
O seu pai, ali estava
ajoelhado,
ao seu lado,
balbuciando:

- Meu filho, obrigado!...
- Obrigado, meu filho! ...

O milagre aconteceu:
O pai de Joãozinho,
o menino ninguém,
se levantou transformado
e nunca mais bebeu.
•14:15

". . Conta-me a velha história.."


Não me falem do Natal
sem mangedoura:
0 estábulo é uma peça
importante do planejamento
sideral.
—Não havia lugar para Ele.

Não me falem do Natal
sem o fenômeno da estrela
que conduziu os magos a Belém
— Ele é a luz que ilumina
os caminhos da nossa peregrinação

Não me falem do Natal
sem o cântico celestial:
—Ele é a canção de paz
para um mundo cansado de guerra!

Não me falem do Natal
sem o getsêmane:
—Ele decidiu
os destinos da humanidade toda!

Não me falem do Natal
sem a cruz do meio:
—Ele pagou, selando minha redenção
com seu próprio sangue!

Não me falem do Natal
sem o túmulo vazio:
— Ele é o milagre da vida
pelo qual conhecerei
a vitória da morte!

Não me falem do Natal
sem o Salvador:
— Ele é a carta-mensagem
que Deus escreveu
no idioma do AMOR!

Natal sem mangedoura,
sem anjos,
sem pastores,
sem estrela guia,
sem getsêmane,
sem cruz,
sem túmulo vazio,
não é Natal—

É ironia!


Eu quero que me falem do Natal
—Natal Anunciação,
que se refugiou em Maria,
a humilde serva clo Senhor!

Eu quero que me falem do Natal
— Natal clo Deus-Homem
que quis ser Homem-Deus para salvar,
e amar
os filhos que perderam a imagem do Pai!

O Natal tem anjos!
Tem estrela guiando os reis magos!
Tem cânticos de paz!
Tem uma criança
envolta em panos!
Tem um mundo de esperança
para os desesperados do mundo!

Quem fala do Natal
não esqueceu que Deus preparou
uma festa de confraternização
para todas as raças!

Por isso,
a história do Natal é diferente
dos contos de fada.
Ninguém diz: "Era uma vez..."

A história do Natal começa assim,
de 1º de janeiro a 31 de dezembro:
"Porque Deus amou
o mundo de tal maneira..."

Essa história trancendental
do Natal
eu quero ouvir!...
•13:45
"Devemos palmilhar este solo
com uma prece nos lábios"
Dr.Stanley Jones



Rogo-te, ó Deus,
que me ajudes a chegar,
espiritualmente,
até Belem,
pelo caminho mais curto
do coração:
Eu quero adorar
o menino Jesus.

Rogo-te que me ajudes
a mergulhar
minha alma no jordão:
Eu quero receber,
no Teu Imaculado Cordeiro,
o Batismo de Amor.

Rogo-te que me ajudes
a escalar
a sagrada montanha do calvário:

Eu quero beljar
os dlvinos pés
que sangraram pregados na cruz.

Rogo-te que me ajudes
a descer
ao túmulo vazio do Teu Filho:
Eu quero experimentar
o transcendental
milagre da Ressurreição.

Rogo-te que me ajudes
a caminhar
pelos atalhos ignotos da vida:
Eu quero noticiar
que Jesus é Conselheiro.

Rogo-te que me ajudes
a ser um cristão no Front:
Eu quero proclamar que Jesus
é o Principe da Paz.

Rogo-te que me ajudes
a viver
como um mensageiro do céu:
Eu quero dizer
que Jesus
é o Pal da Eternidade.

Rogo-te que me ajudes
a encontrar
os lugares escuros do homem:
Eu quero esculpir,
nas suas cavernas,
que Jesus, a luz do mundo,
é Maravilhoso.

Rogo-te que me ajudes
a penetrar
no santuário do Teu mirífico Jardim:
Eu quero contemplar
Jesus — O lírio dos Vales,
a Rosa de Saron.

Rogo-te que me ajudes
a conviver
com os famintos da Terra:
Eu quero contar aos mendigos
que Jesus
é Pão,
é água,
é Caminho,
é Vida,
é Verdade que Liberta.

Rogo-te que me ajudes
a subir
aos páramos do céu
na madrugada do mundo:
Eu quero ver Jesus,
a magnífica Estrela da Manhã.

Rogo-te que me ajudes
a conhecer, profundamente.
o Deus Forte,
o Leão de Judá,
o Senhor que sustenta
a humanidade nos seus braços.
Amem!
•13:28

"Deus usa os nossos problemas
como material de construção
para os seus milagres."


Você que sofre e que, também, se sente
abandonado e só, tristonho e aflito,
nunca pense que Deus é de granito
e não escuta a sua prece ardente.

Você que sofre, amigo, não lamente
a dor que lhe devora; antes, contrito,
confie e espere no Senhor Bendito
que o socorro virá, naturalmente.

Você que sofre tanto e que se diz
cansado de lutar e de viver,
você ainda pode ser feliz.

Hoje mesmo transforme as ilusões,
transforme tudo quanto o faz sofrer
em hinos que confortem corações!
•13:23

"Quando Ele vai embora, a alma
reduz-se a cinzas" Stanley Jones



Silêncio, senhores!
O momento é solene
e não comporta discussões!

Desfilam pelas ruas da metrópole,
homens, crianças e mulheres
condenados ao cárcere imundo
dos vícios, da miséria, da pobreza.

Silêncio, senhores!
Curvai-vos, respeitosamente,
e esperai gravemente
o cortejo passar.

O momento é solene
e não comporta discussoes!

...Eles estão sem Deus.
•13:14
"Se eu puder colocar a tonalidade rosea do
por-do-sol na vida de algum ser humano,
sentirei então que tenho trabalhado com Deus."
Anônimo

Um sorriso espontâneo
faz bem e contagia.
Feliz é quem sorri
repartindo alegria.

Todo o bem que a gente faz,
tudo o que a gente diz,
se é em nome da paz
a gente fica feliz.

Toda frase de ternura
tem gosto de canção;
ressuscita a esperança
em qualquer coração.

Quem oferta uma flor
pelo prazer de dar,
não esqueceu ainda
que existe o verbo amar.

Quem na vida oferece
em nome do Senhor,
nem que seja uma prece,
uma frase de amor,
uma simples canção,
um sorriso, uma flor,
do Senhor não se equece
e cedo aprende a dizer:

Todo o bem que a gente faz,
tudo o que a gente diz,
se é em nome da paz
a gente fica feliz.
•10:39
"Bendito seja o amor"



Quem sabe, ao cair da noite,
quando a pira
flamejante
do sol
já declinara
no plácido poente;

Quando as aves
assustadas
retornam para os ninhos;
quando os homens
voltam para casa
medindo com seus pés
0 comprimento das estradas.

Talvez mesmo
à hora cinzenta
do crepúsculo,

quando o dia
faz pausa com a noite,
que alguém tenha urdido
a trama vergonhosa
de confundir o meigo Nazareno...
................
Aos primeiros albores da manhã
Jesus já ensinava
no Templo
e procurava
exemplificar
o seu ensino

Sua voz era suave,
mansa
como o ciciar da brisa;
meiga
como a ternura meiga
da criança
que tem os pés na Terra
e o coração no Céu.
...................
De repente
a lei brandiu
irreverente,
a espada que apavora.

- De certo,
quem se diz Filho de Deus
há de fazer cumprir
o que se encontra escrito.
A lei
exige
severa
punição!
Enquanto
o amor,
humildemente,
suplica
absolvição!...

Naquele instante
tudo em volta
se tornara angustiante!

Ninguém sabia como acontecera,
tal o pânico estampado
em cada olhar!

- A lei! A lei!
Veremos como vai julgar!

Homens
de punhos cerrados,
babando
asquerosamente
a peçonha nojenta
das palavras,
gritavam:

- A lei! A lei!
Veremos como vai julgar!
E empurravam
para a direita;
e jogavam
para a esquerda;
e atiravam
para frente
uns trapos de mulher,
que ia
e vinha
tropegante,
sem amparo,
sem uma defesa
sequer!...

Dentro
dos seus conceitos
abjetos,
aqueles homens
julgavam-se corretos.

- A lei! A lei!
Veremos como vai julgar!
- Rabi,
falou
um defensor da lei -
esta mulher
fez-se maldita;
nós somos testemunhas
do mal que praticou.

Logo outro
esbravejou:
- Mestre,
esta mulher
não pode mais
viver

- Da nossa lei
um mandamento violou!
Viver não deve!
Por isso,
nas Santas Escrituras
Moisés prescreve
a pena
do apedrejamento!

Da multidão
vociferante
partiu um grito,
uma acusação:
- Adúltera!!!

Jesus estende
a mão
e logo
inclina o corpo
para o chão.

Não quer falar;
fizeram-no juiz
de um caso singular.

Jesus pensava:
"A sentença já foi dada
por Moisés..."
Alguém gritava:
- Que seja apedrejada!
- Que morra aos teus pés! ...

O Mestre
põe-se a escrever
alguma coisa na areia.

Houve silêncio!...
E o silêncio
de Jesus
caía como gotas de luz
no coração ferido
da pecadora.
Mas, na consciência
entorpecida
daqueles homens
inclementes,
o silêncio do Senhor
penetrava
em cada ser,
em cada vida,
quebrando,
quebrantando,
apelando.

Ninguém falava!
Apenas
uma mulher soluçava!...

Dos homens,
nem um gesto sequer
de bondade;
nem uma palavra boa
de caridade!

Jesus se ergue
um pouco
e mostra, dedo em riste,
aquele rosto triste
de mulher!

E, fixando
os olhos penetrantes
em cada coração,
serenamente
o Mestre compreende
que, em terra seca,
dificilmente medra
o gesto caridoso do perdão!

Depois
falou:
- Quem não tiver pecado,
quem for limpo
e puro
de coração,
atire a primeira pedra!

Em seguida,
inclinou-se
todo para o chão
e escrevia
sob o clarão
da luz
do seu amor.

De novo,
silêncio! . . .

Mas aquele silêncio
de Jesus
feria-os fundo
na alma!
Sentiam-se vencidos,
esmagados,
envergonhados!

Resolveram sair
na ponta dos pés.
Desistiram da sentença
imposta por Moisés!

Só Jesus e a mulher.
Ninguém mais!
Só Jesus e a mulher.
Ninguém mais!

- Mulher,
onde estão
os teus acusadores?
Ninguém te condena?

—Ninguém, Senhor!
—Ninguém!...

E o Mestre
se levanta
e estende os braços
e fala:

—Se ninguém
te condenou.
nem
a primeira pedra
atirou
eu, também,
não te condeno!

— Filha,
retira-te em paz!
Eu te ordeno:
Não peques mais!

E num supremo gesto de bondade,
abrindo bem os braços,
o Mestre amado
abençoou aquela
vida,
porque viu, ali,
representada
e necessitada
de perdão,
a pobre humanidade
decaída.

Jesus ficou sozinho.
Conservava os braços
estendidos,
enquanto um vulto
de mulher,
quase imperfeito,
perdia-se na curva do caminho

.............

No chão
coberto de poeira,
a silhueta
de Jesus,
tinha a forma da cruz.
•10:27
"Uma visão mais ampla
vem após subir montanhas espirituais."
Gertrude Hoff



Soltei as velas do meu veleiro,
pedi ao vento que as enfunasse;
roguei ao mar que me deixasse
navegar, navegar no rastro da lua.

Meu relógio parou.
A terra ficou
mais distante de mim.

Meu veleiro veloz
é reboque do Tempo
e nao volta, jamais.
A canção terminou,
mas o mar do meu navegar
não tem fim, não tem fim

O luar é de prata,
0 mar é de vidro,
0 desejo é de ferro,
a esperança é de ouro.

No rastro da lua
meu veleiro navega...
Meu veleiro veloz
é preciso chegar
antes do sol acordar...

Eu quero beijar
a face da lua...
•10:05
"As muitas águas não poderiam apagar o amor,
nem os rios afoga-los." Cantares de Salomão


Andarilho ou peregrino,
mais humano que divino,
sou um simples viajor..
Louvo o chão que me alimenta,
a água que me dessedenta...
Bendito seja o amor.

A minha estrada é comprida,
do tamanho da minha vida...
Tem sombra, luz e calor,
tem flores e tem espinho,
tem pedras no meu caminho...
Bendito seja o amor.

Pisando o pó do meu chão,
piso o pó do coração
e na minha propria dor...
A poeira que levanto
é a minha prece, o meu canto...
Bendito seja o amor.

Andarilho ou peregrino,
cumpro assim o meu destino,
rimando amor com louvor...
Tudo e belo e harmonioso,
tudo é tão maravilhoso...
Bendito seja o amor.
Eu
•09:45
"Não há conflito no estatuto universal" Anônimo


Chamaram-me do passado
e eu me perdi
no estranho labirinto
das reminiscências.

Deixaram-me sozinho
no muro das lamentações.
As minhas lágrimas
abriram sulcos profundos
nas muralhas do meu Tempo.

Deram-me um nome
feito de particulas de pó
e de átomos de mundos diferenciados.

Um código genético
marcou a minha individualidade.

Acordei
na semana de Deus
e recebi o mandamento
do descanso sabático.

Quando teria começado
a semana de Deus?
O silêncio
é a cósmica resposta do Tempo.
•09:33
"Deus pode transformar cada deserto de
nossa vida num oásis." Amos L. Boren



Abri a minha porta
e a madrugada entrou.
Logo troquei o luto das vigílias
pelas vestes do amanhecer.

Havia cânticos de pássaros
e gotículas de orvalho
bordados na minha vestimenta
e um grande sol estilizado
espiando, matreiro, por cima das nuvens.

Caia neve dos meus olhos
e eu não conseguia ver
o caminho do sol.

Faz milênios que meu tugurio
não hospeda um milagre.

A madrugada partiu
e levou minhas vestes.
fechei a porta.
Não tenho roupa.
Não tenho sonhos.

Tenho uma noite para atravessar
e uma longa vigília
para tecer minha nova vestimenta.
•09:24


"Tudo tem o seu tempo determinado,
e há tempo para todo propósito debaixo do céu"
Eclesiastes


Tempo de partir
sem esquecer.
Tempo de ficar
sem nunca se ausentar.

Tempo de compor canções
com pedaços de sonhos realizados
e com lágrimas de alegria.

Tempo de contar o tempo
que passa, e pedir tempo
para conceber sonhos e desejos.

Tempo de chuva e céu azul.
Tempo de sol e chão macio.

Tempo cheirando a mel,
com cantigas de cigarras
e trinados de pássaros
saudando a manhã do amor.

Tempo de recolher
e devolver ao tempo
as lágrimas que o tempo fez verter
dos olhos do mundo.

Homem!
É tempo de entregar
a Deus o roteiro do teu tempo
e ser feliz!
•09:15
O invisível nunca envelhece." Susan R. Wilde



Trouxe o mar represado comigo,
e os ventos do quadrante do mundo;
e os abismos dos montes gelados,
e as planícies de areias sem fim.

Trouxe as noites de todos os tempos,
e dos tempos que os anos não contam,
o lamento do barro amassado
e a implosão de pirâmides de pó.

Trouxe os dias de sol e calor,
e as noites de muitas estrelas;
e o ruflar de asas possantes
à procura de um pouso na luz.

Trouxe o sonho que é filho do sono,
o ideal no casulo da fé;
trouxe a eterna semente da vida
na complexa parábola da morte.
•09:06
"Deve haver algo estranhamente sagrado
no sal. Encontra-se em nossas lágrimas
e no mar." Kahlil Gibran


O mar faz excursões
pela lagoa
e adormece
nos tabuleiros das salinas.

As águas represadas
não podem voltar:
sofrem de volúpia
e desencanto.

Para esquecer a saudade
e o triste confinamento,
suplicam os beijos do sol
e os afagos do vento.

E tanto o sol as aquece,
e tanto o vento as afaga,
que as águas loucas de amor
sobem nas asas do vento,
mitigam a sede do sol...

... E deixam depositadas
no fundo da represa
suas lágrimas de sal,
que são pequenos cristais
— brancos como a saudade
que os olhos dágua choraram.
•08:54
"Somente uma vez fiquei mudo:
quando alguém me perguntou:
"Quem és tu?"
Kahlil Gibran




Meu pensamento
vagueia pelos desertos de areia
e eu não descubro quem sou.
Não sou pobre nem rico;
afinal não sei se fico,
nem mesmo sei onde estou.

Vagando de vaga em vaga
na onda que não naufraga,
na espuma que o vento leva
e eu não descubro quem sou.
Nem mesmo sei onde estou,
se estou na luz ou na treva

Sonho atingir as estrelas,
mas quase não posso vê-las
de tão pequeno que sou.
Os pés pregaclos no chão,
os meus olhos na amplidão,
nem mesmo sei onde estou.

Se ninguém ouve o meu canto
e não enxuga o meu pranto
e não sabe quem eu sou,
é porque somos iguais?
Um pouco menos ou mais,
no tempo que não parou?

A esfinge não me revela
aquele sonho, ou aquela
ilusão que me deixou
perdido no mar, na terra,
como quem volta da guerra
e ainda não se encontrou.

Meu pensamento vagueia
pelos desertos de areia
e eu não descubro quem sou.
Não sou pobre nem rico;
afinal não sei se fico,
nem mesmo sei onde estou.
•08:30
"Um dia me apontaste uma estrela,
amarrei nela o meu ideal e comecei
a subida." Myrtes Mathias

Quero pensar
e ter minha mente
transparente.

Quero sorrir
sem desdenhar de ninguém.

Quero falar
e ter uma palavra boa
para todos.

Quero ter
uma consciência sem remorsos
e sem fantasmas alucinatórios.

Quero apertar
a mão do meu cormpanheiro
invisível de jornada.

Quero despir
a vestimenta de carne
sem relutar nem contestar.

Quero cobrir
a nudez do meu espírito
com a túnica inconsutil
que a vida tecer.

Quero um pedaço de nuvem,
uma ponta de estrela,
um raio de sol,
uma asa do vento,
uma gota de orvalho
e uma sombra tangível.

Quero sonhar
mesmo que seja de olhos abertos.

Quero ser livre
para ficar ou partir.

Quero possuir:
0 chão,
0 céu,
a pedra do caminho,
o templo,
a casa,
a música
e o sonho...

Quero, afinal, me ver
refletido na lágrima
caída na palma
da minha mão.
•19:04

"Não podemos atingir a aurora
sem passar pela noite"
Khalil Gibran



A oração morreu
no altar dos sacrifícios;
a fé se cobriu de luto
e se refugiou na casa dos prazeres.

As portas da casa
de Deus ficaram
emperradas nos seus gonzos.

O vento empurrou as nuvens,
fechou
os olhos das estrelas,
apagou
os luminares dos dias
e das noites.

E se fez noite!
Noite fria,
sem afetos e sem afagos.

Noite escura
de sonâmbulos chacais
farejando a sombra
dos desejos violentados.

Noite misteriosa,
sepulcro inviolável
de sonhos apodrecidos.
Os lábios
dos homens se fecharam,
mas o coração
de Deus não parou
na noite imensurável do mundo.

Quando a oração ressuscitar o amor
e a fé se vestir de luz,
surgirá um novo Homem
inaugurando um novo dia
na Terra que sempre foi
de Deus.
•18:46
"Eu desejo a paz a você"
Havenu Shalom Alehem



Quero escrever
minha primeira canção,
sem me preocupar
com a bomba atômica,
quando a paz descer.

Quero fazer
minha última oração,
pedir e dar meu último perdão,
quando a paz descer.

Quero comer
o meu pedaço de pão,
quando a paz descer.

Quero viver
com a minha porta aberta,
sem trinco, tranca ou maçaneta,
quando a paz descer.

Quero conhecer
a felicidade
sorrindo nas pessoas,
e as pessoas sem prantos e sem lágrimas,
quando a paz descer.

Quero ver
o amor brotar do chão
para enfeitar as estações da vida,
quando a paz descer.

Quero entender
a linguagem das flores e das plantas;
do mar, do rio, do vento,
e dos meus irmãos menores,
quando a paz descer.

Quero merecer
a glória de ser Homem
e ser assim como 0 Filho
unigênito de Deus,
que habitou entre nós,
quando a paz descer.

Quero dizer
meus versos
andando pelas ruas,
ou em minha própria casa,
sentado à mesa,
entre as refeições,
quando a paz descer.

Um todo querer,
Um todo de anseios
por um Mundo novo
e uma grande família universal,
que coma o mesmo pão,
que cante a mesma canção,
que faça a mesma oração,
quando a paz descer.

Quero morrer,
afinal, sem mistério e sem dor,
deixar sorrisos e levar sorrisos,
quando a paz descer.
•18:29
"Procure as coisas pequeninas,
as coisas simples.
A maior parte das vezes elas tem
um toque do infinito."
Leta fulmer



Procura-se
uma capela de ninguém,
onde a alma da gente possa
ajoelhar e orar;
e uma torre invisível
aos olhos profanos,
onde a mente da gente possa
se recolher e sonhar.

Procura-se,
na grande noite da vida,
uma lágrima vertida
que queira ser oração;
e a chama de uma vela
que se perdeu na escuridão.

Procura-se
uma gota de orvalho
que a madrugada fria chorou;
e um raio de luz
que deu vida a dois olhos,
e logo se apagou.

Procura-se
o perfume de uma flor
que o vento impiedosamente
carregou;
e as asas de uma borboleta
que não voou

Procura-se
a melodia angelical
do primeiro Natal;
e, na Boa-Vontade dos homens
a esperança da paz.

Procura-se
É a tremenda luta do homem
que se angustia,
e sofre,
movido pela ânsia incontida
de possuir e gozar
os momentos impossíveis
da vida.
•17:45

"Porque a vida, a vida, a vida,
a vida, só é possível
reinventada" Cecília Meireles




Onde esta o poço?
Era um poço
de águas tão claras
tão límpidas!...

Era um poço abismal,
tão profundo
que parecia não ter fundo.

Eu vinha mirar
minha face, e sorrir...
Eu só!
Eu vinha espiar
as nuvens no fundo do poço.
Eram flocos de nuvens que passavam
e não voltavam

Às vezes,
eu distinguia um carneirinho,
uma ave,
um cavalo de trote veloz...

Onde está o poço?
Onde está a lua
que eu via lá no fundo?
E o carneirinho?
E a ave?
e a minha face?

Eu me pergunto
e não encontro resposta
dentro de mim.

Ah! o passado...
Imagens inofensivas
que minha mente criou...

Tudo ficou escondido
no fundo do poço...!

O tempo não volta
e eu não consigo encontrar
o caminho...

... nem eu, nem ninguém!